top of page
  • Whatsapp
  • Instagram
  • LinkedIn
  • Youtube

Se inscreva na newsletter

Por que viagens e eventos familiares nos tiram do eixo e nos deixam tão nervosos e reativos? Os complexos familiares

Pais discutindo dentro do carro e filho frustrado vendo a situação

Muitas vezes, acreditamos que a maturidade é um estado sólido e definitivo. Trabalhamos, pagamos nossas contas, tomamos decisões difíceis e construímos nossa autonomia. No entanto, basta uma viagem de algumas horas com nossos pais ou um almoço de domingo para que aquela "casca" de adulto comece a rachar. De repente, o adulto independente e funcional volta a se sentir como o adolescente incompreendido ou a criança acuada.


A Psicologia do Confinamento Emocional


Na Psicologia Analítica, entendemos que a família não é apenas um grupo de pessoas, mas um sistema complexo de projeções e complexos. Um complexo é, em essência, uma "ferida aberta" na psique que, quando tocada, assume o controle da nossa consciência.

Quando estamos no cotidiano, mantemos uma distância segura (física e emocional) que protege essas feridas. Mas encontros familiares — e especialmente as viagens e eventos como festas, batismos, casamentos ou almoços de domingo — funcionam como um laboratório alquímico sob pressão.


No carro, não há para onde fugir. No evento familiar, não tem para onde correr. Nos tornamos alvos das críticas dos nossos pais por coisas que são naturais e tranquilas para nós. Eles opinam sobre a nossa postura, que tipo de comida escolhemos, a quantidade que colocamos no prato, a bebida que tomamos, nosso comportamento no geral e até mesmo o horário em que vamos dormir ou acordamos.


É como se realmente voltássemos para aquele passado longínquo onde éramos crianças e eles nos acordavam para ir para a escola e organizavam nossas rotinas diárias. E essa atitude cristalizada do julgamento dos pais entra em choque com a independência que o indivíduo adulto vai conquistando. E isso pode se manifestar mesmo quando a pessoa já é casada, tem filhos e a própria casa! Todas essas situações deixam de ser fatos isolados e tornam-se gatilhos que ativam o complexo materno ou paterno.


O regressor psíquico: Onde o tempo para


Nesses momentos, ocorre o que chamamos de regressão. O ambiente familiar é carregado de memórias implícitas. Mesmo que você tenha 40 anos, na visão da sua mãe ou do seu pai, você ainda pode ser aquele que precisa de correção e esse complexo familiar se torna constelado. E, inversamente, sua reação de raiva ou silêncio punitivo é a resposta da sua criança ferida tentando sobreviver ao domínio do outro.


Frequentemente, observamos dinâmicas onde:


  • A Crítica como Linguagem: Um dos membros usa a desvalorização como mecanismo de defesa para não lidar com a própria sombra ou sensação de inferioridade.

  • O Cabo de Guerra pelo Comando: Disputas por quem dirige ou quem decide o trajeto são metáforas para quem detém o poder e a direção da vida.


O Caminho da Cura: Da Reação à Observação


Como podemos navegar por essas águas sem naufragar? A cura não vem da negação dos conflitos, mas do conflito com a sombra e da integração do complexo.


  1. A Identificação do Gatilho: Perceber o momento exato em que a raiva "sobe a cabeça". Pergunte-se: "Quem em mim está respondendo agora? É o adulto de hoje ou o filho de 15 anos atrás?"

  2. O Estabelecimento de Limites: Às vezes, a cura exige movimentos externos, como encurtar uma viagem ou buscar um espaço próprio. Sair para caminhar ou ter seu próprio momento em um evento familiar pode ser sim importante e você não deve se considerar egoísta. Isso não é falta de amor, mas um ato de preservação da saúde psíquica.

  3. A Diferenciação: Entender que a crítica do outro fala mais sobre o mundo interno dele (suas frustrações, seu tipo psicológico e suas sombras) do que sobre a sua realidade.


A Importância do Acompanhamento Terapêutico


Lidar com complexos familiares sozinho é como tentar fazer uma cirurgia do apêndice em si mesmo! As chances de ter problemas é gigantesca! Nesse aspecto, o olhar de um terapeuta — um "outro" neutro e qualificado que não está envolvido no complexo — é essencial para ajudar a desatar os nós que nos mantêm presos a dinâmicas infantis. A terapia oferece o espaço seguro para que possamos olhar para nossos pais como seres humanos falíveis, e não apenas como figuras arquetípicas gigantescas que ainda têm o poder de nos diminuir independentemente da nossa idade.


No meu trabalho como analista junguiano no Cura das Águas, acredito que ao compreender as correntezas profundas da nossa história familiar, assim, podemos finalmente aprender a nadar em direção à nossa própria margem.


Se você precisar de apoio, estou à disposição. Entre em contato para agendar um atendimento.



Dicas de leitura


Para se aprofundar nesse tema, eu sugiro o livro:


  • Filhas de pai, filhos de mãe: Complexos de pai e mãe e caminhos para a identidade própria (Reflexões Junguianas) da autora Verena Kast da Editora Vozes


 
 
 

Comentários

Avaliado com 0 de 5 estrelas.
Ainda sem avaliações

Adicione uma avaliação
21TEXTURA-21.png

Entre em contato

  • Whatsapp
  • Instagram
  • LinkedIn
  • Youtube

"O mar é o símbolo do inconsciente coletivo porque sob sua superfície espelhante se ocultam profundidades insondáveis."

Assinatura Carl Gustav Jung

Cura das Águas

Auxiliando pessoas a vencerem seus bloqueios e serem mais realizadas

bottom of page